Nossa Vida,Além-Mar


UM DESABAFO E DOIS ANJOS

Há muito tempo eu procurava uma resposta pro meu dilema sobre o quê fazer com o Victor no Brasil em relacao à escola porque aqui ele está na segunda série, mas só vai fazer 7 anos em abril. A minha dúvida era: colocar em uma série de acordo com a idade dele e ele perder o interesse por nao aprender nada novo ou matriculá-lo em uma série adiantada (sei que pela lei teria direito) e ele ter que conviver com meninos até dois anos mais velhos e correr o risco de ser hostilizado pelos colegas e forcar uma puberdade precoce?

Mas como sempre acontece na minha vida, Deus mais uma vez me mandou a resposta através de dois anjos! Comentei o fato com a Simone (http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/) do site Desabafo de Mae e esta me indicou a Samantha (http://samanthashiraishi.wordpress.com/2007/05/13/inteligente-e-diferente/) que está passando pela mesma experiência com seu filho mais velho. A Samantha foi extremamente atenciosa e generosa dedicando parte do seu tempo para me contar sobre o caso do Enzo. O que ela me disse era mais ou menos o que eu achava que deveria fazer, mas precisava que alguém tivesse passado por isso no Brasil pra que eu ficasse segura. Juro que chorei de alívio ao ler seus depoimentos e ver o Victor descrito no filho dela!

Eu nunca contei a história inteira aqui, porque na época em que o Victor fez esses testes eu tinha dado um tempo do Blog que era ainda com senha.

Bem, o Victor sempre foi uma crianca muito precoce, aos dois anos de idade, nao só formulava frases complexas e corretas gramaticalmente como reconhecia os números, cores também em inglês, alfabeto, lembro que uma vez aos 2 anos e meio ele cantou para o Gudo (que estava na Alemanha) no telefone a música da Xuxa, aquela do A de amor, inteirinha, quando peguei o telefone o Gudo estava chorando! Aos 3 anos ele comecou a juntar as sílabas e aos quatro estava lendo fluentemente, aos 5 já escrevia de tudo. Eu ficava orgulhosa da facilidade dele em aprender, mas nunca quis admitir que ele tivesse uma inteligência acima do normal, achava que estava “vendo coisas”, que todas as maes viam seus filhos como os mais inteligentes. Pensava que era por causa do estímulo em casa, mas por outro lado ficava impressionada com a facilidade com que ele aprendia, uma coisa é você ensinar até a crianca aprender (fui professora primária por 8 anos), outra é você falar uma vez e ela nunca mais esquecer! E era isso que acontecia com o Victor, fora os questionamentos e conclusoes filosóficas. Aos 3 anos ele discutiu comigo e me fez ligar para o Gudo no instituto, inconformado, porque na cabecinha dele nao era possível que a Terra girasse em torno do Sol! Aos 4 anos ele dizia coisas como: “Pai, nós nao sabemos se o universo é infinito ou nao, mas se ele for finito, o que é que vem depois? Sempre que uma coisa acaba outra tem que comecar!” 

Como aqui na Alemanha as criancas nao aprendem nada na escolinha, as professoras comecaram a ficar “incomodadas” com o Victor e nos pediram, aos 4 anos para fazer uma avaliacao com ele,conseguimos despistá-las até ele fazer 5 anos, mas aí nao teve mais jeito, acabamos concordando que era necessário. Depois de uma batelada de testes com fisioterapeuta, pedagogo e psicóloga em uma clínica especializada, foi diagnosticado que ele tinha um QI alto (131), a partir de 126 é considerado Superdotado ou Portador de Altas Habilidades como é chamado atualmente (gênio é superior a 140, o que me deu um certo alívio, hehehehehe). E que estava maduro física e emocionalmente para iniciar um ano antes na primeira série, pois aqui a maioria das criancas comeca com 6. Hoje sei que foi uma decisao acertada, ele nao tem tido problema algum na escola, mas eu estava com aquela dúvida que citei antes, em relacao ao Brasil, mas aí esse anjo chamado Samantha ouviu o meu “Desabafo de Mae” e me deu uma “Luz”, concluí que nao importa a série que ele esteja, a escola nunca vai suprir as suas necessidades, entao temos que continuar como estamos fazendo: dando a ele oportunidades pra desenvolver toda sua capacidade também fora da escola, com passeios culturais, leitura, filmes, conversas, etc. E que muito mais importante do que a série, é que ele conviva com criancas da idade dele para que nao se sinta rejeitado e que nao inicie nada antes de estar realmente preparado, pois o Victor é maduro, mas tem a ingenuidade de uma crianca de 6 anos.

Ufa! Estou indo com um “peso” a menos para o Brasil, muito obrigada Samantha!

Bom final de semana amigas!   

 



Escrito por Gi

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SÍNDROME DO NINHO VAZIO (Já!?)

Nao que ele nunca tivesse dormido fora de casa antes, dormiu sim, muitas vezes na minha mae e algumas poucas vezes na minha sogra ou na minha irma. Mas isso foi láááá no Brasil, há muuuuito tempo atrás e casa de parente é diferente, né?

Por isso quando minha amiga Marta (mineira) veio com a proposta do Victor passar a noite na casa deles, pra que ele e o Max, o filho dela de 5 anos, pudessem brincar mais tempo juntos, procurei logo uma desculpa, mas como ele nao faz xixi na cama, tem “pesadelos” só quando lhe convém nos acordar de madrugada pra ir pra nossa cama, e no dia seguinte (hoje) seria feriado, nao tive como negar.

Ainda tentei dissuadi-lo: - Mas “Bebê” (falo assim quando quero convencê-lo de algo), como é que você vai dormir sem o teu ratinho e o teu ursinho? Entao eu vou lavar a roupinha do ratinho (que tá mais “encaldida” que o Sansao da Mônica) pra você levá-lo!

Juro que o olhar e o tom de voz que recebi de resposta era de um adolescente de 13 anos!

-Mae, você pode atender a um pedido meu? (em alemao, já percebi que quando os nervos estao alterados, ele “precisa” usar o alemao para se expressar melhor)

- Que foi Bebê?

- Nao me chama mais de Bebê... (calmo, recuperando o português e como que procurando nao ofender meus sentimentos) ...“Filho” pode, “Bebê” nao e nem diz mais coisas como: “Olha só, tá nascendo os dentinhos dele!” E é “óbvio” que eu nao vou levar o meu Ratinho!

Peraí, mas até outro dia quando eu perguntava: - Você vai ser sempre o meu bebê?  Ele concordava todo amoroso!

Agora bastou a possibilidade de dormir fora de casa e já está se achando o adolescente!

Ah, meu Deus! Juro que nao estou preparada e se daqui a uns 20 anos acontecer o que aconteceu com a minha sogra, aparece uma doida do nada e o leva pra casa dela, pior: pra outro país?

Mas pelo menos eu nao fui a única que a cada cinco quinze minutos olhava pro quarto vazio procurando por ele, a Sofia também mostrava pra janela e para a porta como que perguntando pelo Mano. O Gudo desnaturado aproveitou pra ficar de bate-papo no Skipe já que estava livre de jogar cartas de Yu-gi-oh por uma noite!

E como se nao bastasse, amanha ele vai com a escola pra Hannover, de ônibus, visitar o Zoo, vao passar o dia todo lá! É muita provacao pra uma só mae! Mas acho que sobreviverei!!!

Agora dá licenca que vou lá buscar o meu Bebê Filho!

 

Beijinhos pra vocês!



Escrito por Gi

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UPDATE:

Consegui pôr o vídeo, a qualidade diminuiu, mas dá pra ter uma nocao do que é o tal beijo na estátua, tradicao de todo recém-doutor em Göttingen, é só clicar aqui:

http://br.youtube.com/watch?v=VXsyT1BHxRo

Também postei umas fotinhos aqui, quando receber as outras coloco mais:

http://gl.soares.nafoto.net/

 

DOMINGO LATINO

 

O objetivo da festa era arrecadar dinheiro para enviar às vítimas do terremoto no Peru, nós fomos com a intencao de ajudar, é claro, mas também muito interessados na comida peruana que é deliciosa. Porém, nao pensávamos que seria tao divertido. Primeiro que foi incrível a quantidade de pessoas que atenderam ao convite, alguns alemaes, mas muitos latinos: chilenos, argentinos, equatorianos, bolivianos, mexicanos, colombianos, brasileiros e é claro muitos peruanos. Eles nao esperavam tanta gente e quase nao conseguiram atender a todos os pedidos.

Dancas típicas e música latina (ao vivo) animaram a festa. Além de rever alguns amigos, conhecemos mais brasileiros, entre eles a Jú, uma “japonesa” paulista que tem que responder a todo momento a fatídica pergunta: “Como assim? Você é brasileira?” e uma família “cataúcha”, ela é de Florianópolis e ele de Pelotas (pero “matchio” segundo ele), acabaram de chegar. E assim  a safra de brasileiros se renova, gente que vem em busca de novas oportunidades, mas que nao esquece seu país de jeito nenhum e de maneira alguma “renega” sua pátria e suas origens. Tanto que quando o gaúcho de Floripa (hehehehe) subiu ao palco para cantar músicas em português todos cantaram juntos, alguns até mesmo emocionados.

A Sofia dancava junto, lá na frente do palco, as pessoas vinham falar: “Ela é bem brasileira, é alegre, danca, canta!” É isso mesmo, apesar de ter nascido na Alemanha, a minha filha é uma brasileirinha “nata”!

 

Uma boa semana pra vocês!

 

P.S.: ainda nao organizei todas as fotos, porque muitas nao foram tiradas com a nossa máquina e ainda nao recebi todas, espero conseguir logo!

 

Um beijao,   

 



Escrito por Gi

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Nossa História

Sou Gisele
36 anos, sagitariana, gaúcha
Graduada em Letras e pós-graduada em Língua Portuguesa
Mas nos últimos 10 anos tenho ensinado inglês e para isso me aperfeiçoado constantemente nessa área.
Sou um “amor de pessoa” quando não estou cansada
irritada ou com os hormônios alterados.
Em 1994 comecei a namorar o Valdir (Gudo)
34 anos, catarinense, canceriano
Hoje biólogo fazendo doutorado aqui na Alemanha
Onde moramos há 3 anos.
Um cara muito gente boa que só
eu consigo tirar do sério.


Após 6 anos de namoro resolvemos morar juntos
(só casamos de verdade em 2003)
Um ano depois, no dia 25.04.2001
o Victor chegou pra quebrar a monotonia
um menino muito inteligente que se alfabetizou aos 4 anos
em duas línguas e por esse motivo iniciou a primeira série
um ano antes do que a maioria de seus coleguinhas.
Além disso é um menino muito carinhoso
espirituoso e lindo!!!
(sou mae dele, né?).
Viemos pra Alemanha
atrás de um sonho:
nos aperfeiçoarmos em nossas áreas
e conhecermos outras culturas.
Conseguimos o que queríamos e mais um bônus:


Uma princesinha chamada Sofia
Que chegou no dia 01.07.2006
bem no dia do aniversário do pai dela
brasileirinha legítima apesar
de ter nascido na Alemanha.
Doidinha doidinha
que apesar de nos deixar exaustos no fim do dia
completa nossa felicidade.

Juntos somos a família Soares Stefenon
Que adora conhecer lugares novos
Mas não vê a hora de dezembro de 2007
Chegar pra finalmente voltarmos pra nossa “pátria amada e
idolatrada Brasil”!




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